As imagens do carnaval carioca são e dá margem uma interpretação depreciativa sobre a fé cristã, pelo de o diabo sair vencedor | Foto: Divulgação.
O CARNAVAL DO RIO DE JANEIRO vem se projetando, a cada ano, como um forte cenário de depreciação da fé cristã, em que o diabo tem aparecido como vencedor contra Cristo nos desfiles das escolas de samba, como a Unidos de Vila Isabel e a Gaviões da Fiel. Essas representações provocam reações de conservadores e processos judiciais. Processos judiciais que geralmente dão em nada, haja vista que o sistema mundano odeia tudo o que se refere a Deus, o Criador dos céus e da terra e de tudo quanto neles há.
A coisa está num nível tão satânico que até pastores desfilaram no Carnaval do Rio de Janeiro e um deles disse até que estava emocionado em estar participando da festa junto com a sua esposa. Sem dúvida, um escândalo para a fé evangélica.
Na Unidos de Vila Isabel, em 2025, o ator José Loreto desfilou como o diabo na comissão de frente. O enredo era “Quanto Mais Eu Rezo, Mais Assombração Me Aparece”. A comissão de frente foi intitulada “O homem que enganou o Diabo… virou assombração!”.
Na Gaviões da Fiel, em 2019, a comissão de frente representou a luta contra o pecado e a traição. A encenação mostrou um Lúcifer vencendo Jesus Cristo. Isso atinge diretamente a igreja cristã — sal da terra e luz do mundo — e provoca uma aversão sentimental naqueles que se santificam para salvar as pessoas da perdição eterna, orando pela vida de todos que precisam de salvação. A representação, em 2019, foi considerada desrespeitosa por entidades cristãs e virou até processo na Justiça.
A Justiça paulista, no entanto, decidiu que a escola de samba Gaviões da Fiel não cometeu abuso, no desfile do carnaval de 2019, ao exibir uma coreografia na qual um ator, representando Jesus Cristo, foi arrastado, empurrado e pisoteado por um outro caracterizado como o diabo. O processo foi aberto pela Liga Cristã Mundial, uma entidade católica, que acusou a Gaviões de cometer “blasfêmia” e de “vilipendiar” a imagem de Jesus. As imagens chocaram o povo brasileiro, conforme afirmou a associação, que chamou os passistas e o coreógrafo da escola de “bárbaros” e exigiu o pagamento de uma indenização de R$ 5 milhões. Mas essa indenização foi negada pela justiça. E, assim, o diabo sempre ganha no enredo carnavalesco e no judiciário, de acordo com a mentalidade do mundo que odeia a Deus.
O carnaval carioca, por sua vez, é uma festa mundialmente conhecida que é celebrada por diversas manifestações como, por exemplo, desfiles de escola de samba, bailes, blocos e bandas. Tudo é uma questão cultural que, por tradição, o carnaval dos dias atuais é inspirado em tradições que vêm desde as festas sincréticas dos antigos gregos e romanos com suas manifestações da carne na época da helenização de Roma.
Orixás, atabaques, ancestralidades e outros ingredientes da cultura africana foram amplamente celebrados pelas escolas de samba do Rio de Janeiro e de São Paulo no Carnaval de 2025. Pelo menos três agremiações de São Paulo e oito do Rio de Janeiro cantaram na avenida temas diretamente ligados à África ou a religiões de matriz africana. De fato, a africanização do Brasil, vendo a coisa pelo lado satânico, se consuma em cultos aos orixás e com eles. Mas o que são orixás? Literalmente, são espíritos ocultos prontos para escravizar as almas dos seres humanos que se mantêm distantes de Deus. Isso explica todo o sofrimento do povo africano. Mas, conforme estudos bíblicos e teológicos, o diabo cega as pessoas, uma vez que ele é o ladrão e “o ladrão veio para matar, roubar e destruir” (João 10.10).
A temática africanidade também já foi abordada na redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Com o tema “Desafios para a valorização da herança africana no Brasil”, a prova promoveu a reflexão sobre a importância de reconhecer e valorizar a contribuição africana na formação da identidade cultural do Brasil. A África tem tanta coisa boa noutros aspectos da sua cultura, como na literatura, no artesanato e na música, por que que o Brasil promove somente a cultura de louvor ao diabo? Por que grande parte dos brasileiros prefere se entregar ao demônio do que a Deus, Criador e Senhor do Céu e da Terra?
A revista Veja divulgou que, para o assessor de História do Centro de Inovação Pedagógica, Pesquisa e Desenvolvimento (CIPP) dos colégios da Rede Positivo, André Marcos, a profusão de sambas-enredo que falam sobre a africanidade é uma característica do carnaval brasileiro desde seus primórdios. “Esses temas estão sempre presentes nas escolas de samba, pelo próprio samba ter raízes na cultura dos negros africanos que foram trazidos à força para o Brasil. É relevante que as agremiações estejam sempre falando sobre essas raízes e reverenciando o passado que permitiu que o Carnaval se tornasse o que ele é hoje em nosso país”, ressaltou ele.
Escolas como a Acadêmicos do Salgueiro têm desfilado na Sapucaí e sempre dão show de horrorização e louvor ao mundo do malígno. Em 2023, o enredo escolhido pela Acadêmicos do Salgueiro foi Delírios de um paraíso vermelho. Chamou a atenção do público e dividiu opiniões nas redes sociais.
A figura do diabo estava presente nos carros alegóricos e em fantasias, o que, obviamente, sempre desagrada católicos e evangélicos. A verdade é que os que promovem essas escolas de samba não têm noção do mundo espiritual que estão evocando. Depois, quando as forças da natureza vêm e destroem bairros e casas, as pessoas não entendem por que está acontecendo. Os homens brincam com Deus sem compreenderem as complicações catastróficas que isso gera em torno das cidades que, como Sodoma e Gomorra, protagonizam injustiças e zombaria contra Deus. Nos shows de mediocridade que essas escolas, as pessoas não percebem o tamanho de sua pequenez. É trista. Simplesmente triste.
A Bíblia, em Gálatas 6.7, diz: “Não se deixem enganar: de Deus não se zomba. Pois aquilo que o homem semear isso também ceifará”. E a história tem mostrado que todos que intentaram contra Deus colheram severas consequências, inclusive os imperadores romanos que perseguiram a igreja.
O Carnaval, enfim, veio evoluindo das festas tradicionais antigas, tanto da Grécia quanto de Roma. As festas da Roma antiga, por exemplo, eram grandiosas, com um peru enorme, recheio de duas maneiras, presunto, os acompanhamentos necessários e pelo menos meia dúzia de tortas e bolos. Tudo isso era muito grandioso ante as exibições extravagantes do antigo banquete romano.
Os membros das classes altas romanas participavam regularmente daquelas festas suntuosas, que duravam horas, e que serviam para divulgar a sua riqueza e estatuto de uma forma que eclipsava as nossas noções de uma refeição resplandecente. Comer era o ato supremo de civilização e celebração da vida. Mas tinham também os rituais. Mas essa é uma longa história que, inclusive, já escrevi na revista Geração JC (Editora CPAD, RJ).
Para resumir tudo, a origem do Carnaval é tradicionalmente ligada ao catolicismo. Celebração tradicional na cultura popular brasileira, o Carnaval foi trazido ao Brasil pelos portugueses durante o período da colonização, sendo um costume tradicional na Europa. Lá, o carnaval era uma festa que antecedia a Quaresma, sendo um momento de zombaria e de devassidão. Festa da carne, como acontecia na Roma Antiga.
O carnaval, na verdade, remonta a costumes da Idade Antiga, sobretudo, às festas de Dioniso na Grécia e à Saturnália e à Lupercália, em Roma. Essas celebrações eram muito populares, sendo alvo de iniciativas da Igreja Católica para cristianizar e moralizar as celebrações. Um sinal disso foi a inclusão do carnaval no calendário litúrgico.
A origem do Carnaval, nesse caso, é tradicionalmente ligada ao catolicismo, sendo uma festa que faz do calendário litúrgico católico, além de ser uma celebração que marca a aproximação da Quaresma. Os pesquisadores desse assunto apontam, contudo, que, apesar disso, os costumes estabelecidos durante o Carnaval possuem origens históricas anteriores ao cristianismo.
Entendido como uma festa da carne, na qual as obrigações morais desaparecem, o caos se estabelece e o mundo se inverte, o Carnaval pode remontar às festas de diferentes povos da Idade Antiga. Na Mesopotâmia mesmo, haviam as sáceas, celebrações nas quais um preso era vestido de rei e homenageado antes de ser executado. Os mesopotâmicos ainda tinham um ritual de humilhação do rei diante da estátua do deus Marduk.
Tanto as sáceas quanto a humilhação do rei demonstram um sentido presente no Carnaval: a inversão da ordem das coisas. O prisioneiro é homenageado na celebração, enquanto que o rei é humilhado na outra.
Além disso, muitos pesquisadores apontam que o Carnaval também pode ter algumas de suas origens na cultura greco-romana. As celebrações a Baco (Dioniso, para os gregos) eram marcadas pelo consumo exagerado de bebidas alcoólicas e também pelos prazeres carnais. Havia também a Saturnália e a Lupercália, como já colocado.
Nas duas festas, as normas sociais eram suspensas, tornando-se momentos de diversão e de devassidão para as pessoas que participavam. O consumo de comidas e de bebidas alcoólicas era elevado nas duas festividades, sendo que a Saturnália era celebrada em dezembro e a Lupercália era celebrada em fevereiro.
Muitos pesquisadores também atribuem a essas celebrações o fato de que eram festividades que celebravam o fim do inverno e a chegada de dias mais ensolarados. Sendo assim, eram festas que tinham como objetivo “expulsar” o inverno e celebrar a chegada da primavera e de dias mais férteis.
Com o estabelecimento do cristianismo no continente europeu, a prática de celebrar tais festividades, sobretudo as de origem greco-romanas, desagradavam a Igreja Católica, uma vez que essas celebrações aconteciam em homenagem a deuses pagãos. Além disso, os exageros cometidos durante essas celebrações foram vistos como problemáticos.
Então, a Igreja Católica deu início a um processo de cristianização dessas festividades, permitindo que elas ocorressem, mas tentando conter os excessos. Essas celebrações, em muitos locais, se estendiam do Natal até a Páscoa, e acredita-se que passaram a ser conhecidas como “carnis levale”, algo como uma festa de “adeus à carne.
O Carnaval foi colocado no calendário litúrgico católico como parte desse esforço para “cristianizar” a festa, sendo, posteriormente, acompanhado da Quaresma, o período de quarenta dias que se estabeleceram como um espaço de penitência e de devoção. Assim, o Carnaval dava adeus à carne para que o momento de devoção na Quaresma se iniciasse.
O Carnaval, em regra, surgiu a partir de celebrações pagãs que eram realizadas em diferentes locais. No caso da Europa, de onde a festa foi trazida para o Brasil, haviam celebrações marcadas pela zombaria, pela glutonaria e pela devassidão espalhadas por diversos locais, como entre os gregos, os romanos e os diversos povos de origem germânica. Essas celebrações podem ser a raiz histórica do costume de celebrar o Carnaval.
Além disso, as celebrações incomodavam a Igreja Católica por conta dos excessos que eram cometidos pelas pessoas e porque eram heranças de religiões pagãs que a Igreja Católica queria eliminar. Assim, as celebrações pagãs foram cristianizadas e se transformaram em uma festa cristã conhecida como “carnis levale”, que trazia a ideia de ser uma celebração que se estabelecia como um “adeus à carne”.
Com o surgimento da Quaresma, no século IV, o Carnaval se tornou uma festa que estabelece o último momento de celebração e de festividade antes que se inicie a rigidez da Quaresma e a preparação para a Páscoa.
No século XXI, no Rio de Janeiro e São Paulo, as alegorias vêm, cada vez mais, se tornando um ataque à fé cristã. Isso estabelece um caos de antipatia entre o movimento carnavalesco e a igreja cristã de modo geral. Embora seus promotores dizem que o objetivo dos exageros é apenas suscitar uma reflexão, a lógica não convence, dado à forma como acontece: mostra um Cristo fragilizado, e o diabo sempre vencedor. As consequências dessa provocação e desse escárnio são catástrofes, violência e criminalidade cada vez crescentes tanto no Rio de Janeiro como em São Paulo. O mundo espiritual é real. E, como dizem as Escrituras Sagradas, de Deus não se zomba. O homem planta, provoca e, no fim de tudo, sempre colherá.